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RESENHA: Me Chame Pelo Seu Nome


                           
                                                    

ME CHAME PELO SEU NOME
Direção de Luca Guadagnino

                                             
                           

Sinopse: O jovem Elio está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda com a chegada de Oliver, um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai.
Gênero: Drama, Romance


                                                     
Uma Deliciosa Decepção
resenha do filme "Me Chame Pelo Seu Nome" por Daphs


Com direção de Luca Guadagnino (Um Sonho de Amor), o filme Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name, 2018) trazia altíssimas expectativas. Contando com o galã Armie Hammer (Arrested Development) e o jovem Timothée Chalamet (Lady Bird e Beautiful Boy) como protagonistas, o filme conta a história de um lindo e leve romance, que tem como background as paisagens exuberantes do interior italiano.
A sensação de tranquilidade, paz e leveza do verão são passadas à quem assiste através da união entre a fotografia de Sayombhu Mukdeeprom (As Mil e Uma Noites) e a direção de Guadagnino que sem sombra de dúvidas atingiram êxito em nos transportar para a Itália naqueles meses de 1983. A delicadeza da trilha sonora composta por Sujvan Stevens (Beyond This Place) ajuda a compor não só o romance lentamente desenvolvido, como também nos leva a entender o personagem principal, Élio, que tem a música entre os seus principais talentos.
Realidade é a palavra que melhor poderia definir o que acontece entre Élio e Oliver. É um romance tangível, possível, tão distante e diferente das histórias hollywoodianas à que estamos acostumados que pode até mesmo assustar, num primeiro momento. A problemática de romance gay é deixada de lado e, acima de qualquer questionamento sobre a sexualidade dos personagens ou das dificuldades que poderiam vir a ter em cima da homossexualidade, o diretor se concentra em exibir o primeiro amor, em sua forma mais pura e leve. Assim, não é difícil torcer ou se apegar ao sentimento que esses dois, aos poucos, constroem.
No entanto, mesmo possuindo absolutamente tudo para realmente ser a obra de arte que tantos críticos aclamaram, o filme peca no roteiro de James Ivory (Uma Janela Para O Amor). Fica claro que este tentou acompanhar a sensação de siesta passada pela fotografia e direção, mas não teve o mesmo sucesso, o que resultou em um filme cansativo e repleto de vazios. Apesar de ser possível entender também os objetivos do roteirista, são vários os momentos em que nos pegamos bem mais admirando uma cena do que realmente entendendo o que acontece ali, como nas cenas em que Élio passa minutos lendo ou concentrado em escrever - muitas vezes até sobre Oliver. Alguns dos diálogos trazem também essa já conhecida sensação de realidade e aumentam o carinho que já sentimos pelos personagens, tornando possível até mesmo se identificar com as situações em que eles passam. Ainda assim, os vazios falam mais alto e o roteiro foi o responsável por transformar o que poderia ser uma obra de arte em… Uma deliciosa decepção.
Nem de longe é um filme ruim, de maneira nenhuma, apenas não atingiu às altas expectativas colocadas em cima dele e temos a constante sensação de que algo está fora do lugar. Apesar de terem tentado desenvolver lenta e calmamente o romance entre os dois, a falta de diálogos que expressassem seus sentimentos criou um vazio entre uma cena e outra. Do momento em que se conhecem e se aproximam, temos a impressão até que Élio sentia certa inveja de Oliver e, de repente, tal sentimento parece ter se transformado em amor quando as únicas cenas que poderiam ter explicado esse sentimento são cercadas de silêncios e meias palavras. Incompleto poderia ser a palavra ideal.
Mesmo sem ter lido o livro de André Aciman, obra que inspirou o filme, é totalmente perceptível que teríamos muito mais emoção e sensações com essa história caso tivéssemos a leitura prévia, esta traria os pensamentos do jovem Élio e, talvez, fosse capaz de preencher os espaços vazios da narrativa.
Ao fim, chegou a ser triste assistir uma história que tinha tudo para ser emocionante, se transformar em algo vago, como o que acontece com o filme Her, que também não é dos melhores, mas, comparado à Me Chame Pelo Seu Nome, o roteiro e fotografia sustentam o filme de forma mais coesa.


Nota: 3,2

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